Home / Insights / A construção e a restauração são os setores com maior criação líquida de emprego

A construção e a restauração são os setores com maior criação líquida de emprego

PUBLICADO A 30/01/2026

AUTOR Brighter Future

PALAVRAS CHAVE RELACIONADAS

PARTILHA ESTE ARTIGO

Entre 2010 e 2023, o número de trabalhadores por conta de outrem em empresas em Portugal aumentou mais de 25% , o que corresponde, em termos absolutos, a um acréscimo superior a 721 mil trabalhadores.

Este crescimento agregado esconde, no entanto, variações significativas ao longo do tempo, associadas às diferentes fases do ciclo económico, com períodos alternados de criação e destruição de emprego.

Por isso, mais do que observar apenas a evolução do emprego total, é fundamental analisar os fluxos de emprego — o emprego criado e destruído — ou seja, a criação líquida de emprego. Esta abordagem permite identificar fases de expansão ou contração económica e compreender melhor a dinâmica do mercado de trabalho.

A criação líquida de emprego aumentou significativamente em 2022 e 2023

Entre 2011 e 2013, o mercado de trabalho registou uma criação líquida de emprego negativa, refletindo um período em que a destruição de postos de trabalho superou a criação, com destaque para 2012, o ano com maior destruição líquida de emprego, superior a 160 mil, do período 2011 a 2023.

A partir de 2014 observa-se uma inversão clara da tendência, com criação líquida de emprego positiva e relativamente elevada até 2019. Este período caracteriza-se por um crescimento sustentado do emprego, resultante do aumento do emprego criado e de níveis mais contidos de emprego destruído.

Em 2020, verifica-se uma nova quebra acentuada, com criação líquida negativa, associada ao forte aumento da destruição de emprego no contexto da pandemia. De facto, 2020 registou a maior destruição de emprego do período em análise (mais de 484 mil) superando, inclusive, a destruição de emprego de 2012, durante a crise financeira.

Nos anos seguintes, o mercado de trabalho recuperou rapidamente. Em particular, 2022 destaca-se como o ano com maior criação líquida de emprego da série, refletindo um forte aumento do emprego criado. Em 2023, apesar de uma ligeira desaceleração face a 2022, a criação líquida de emprego manteve-se elevada.

No conjunto, os resultados evidenciam uma dinâmica cíclica do mercado de trabalho, em que períodos de crescimento do emprego coexistem com elevados fluxos de criação e destruição. Os últimos dois anos – 2022 e 2023 – destacam dos restantes pelo aumento bastante expressivo do emprego criado o que resultou numa criação líquida de emprego também bastante acentuada.

NOTA: O emprego criado corresponde ao emprego no ano t que não existia em t-1. O emprego destruído corresponde ao emprego no ano t-1 que deixou de existir em t. Este análise é feita ao nível do par trabalhador-empresa. Considera-se apenas uma observação por cada trabalhador por ano. FONTE: Quadros de Pessoal (GEP/MTSSS), INE, FBA/Brighter Future.

A restauração e da construção foram os setores com a maior criação líquida de emprego em 2023

Analisando a criação e destruição de emprego, entre 2022 e 2023, por setor verificaram-se diferenças de relevo entre as distintas atividades económicas. Os setores do alojamento e restauração, comércio a retalho, da construção e da promoção imobiliária e das atividades de aluguer, de emprego, agências e operadores turísticos foram os que lideraram a criação de emprego. Similarmente, estes foram também os quatro setores de atividade com mais emprego destruído no mesmo período. Este fenómeno evidencia a alta rotatividade laboral destas atividades económicas, caraterizadas por uma maior prevalência de relações laborais de curta duração com uma maior proporção de contratos a termo e, porventura, um carácter mais sazonal. Por outro lado, outros setores como, por exemplo, da educação, das atividades financeiras e de seguros e das atividades imobiliárias registaram uma menor volatilidade, apresentando níveis de criação e destruição de emprego mais baixos.

Em 2023, a maioria dos setores de atividade registaram um crescimento líquido do emprego, ou seja, o emprego criado superou o emprego destruído. Destacando-se os setores do alojamento e restauração e da construção e promoção imobiliária com um acréscimo de mais de 21 mil postos de trabalho. Os setores das atividades de consultoria, científicas e técnicas, comércio a retalho e das atividades de saúde humana e apoio social também registaram uma variação líquida assinável superior a 11 mil.

A exceção a esta tendência de crescimento foi a indústria têxtil e do calçado que perdeu mais de 6 mil postos de trabalho em 2023 face ao ano anterior.

NOTA: O emprego criado corresponde ao emprego no ano t que não existia em t-1. O emprego destruído corresponde ao emprego no ano t-1 que deixou de existir em t. Este análise é feita ao nível do par trabalhador-empresa. Considera-se apenas uma observação por cada trabalhador por ano. Setores de Atividade (CAE 2 dígitos) com pelo menos 40 mil trabahadores em 2023. FONTE: Quadros de Pessoal (GEP/MTSSS), INE, FBA/Brighter Future.

As profissões menos qualificadas foram as mais expostas a níveis mais elevados de criação e destruição de emprego

A criação de emprego em 2023 concentrou-se, sobretudo, em profissões de serviços, comércio e restauração. Destacaram-se os operadores de caixa e trabalhadores relacionados com vendas, os trabalhadores de limpeza, os empregados de mesa e bar e os vendedores e encarregados de lojas, no top das profissões Brighter Future com maior criação de emprego.

Paralelamente, estas profissões surgem também entre as que registam maior destruição de emprego, evidenciando, tal como nos setores de atividade, uma maior volatilidade e, consequentemente, menores níveis de segurança no emprego para os trabalhadores, maior instabilidade dos rendimentos e oportunidades mais limitadas de progressão na carreira, afetando negativamente a acumulação de experiência e a formação contínua.

No caso da criação líquida de emprego, o top com o maior crescimento líquido do emprego foi constituído, na sua maioria, por profissões menos qualificadas como os trabalhadores de limpeza, os ajudantes de cozinha e os empregados de mesa e bar. Não obstante, algumas profissões técnicas e/ou mais qualificadas também se encontravam no top, designadamente, os programadores de software, os trabalhadores qualificados da construção e os eletricistas.

Apesar da maioria das ocupações ter registado um crescimento líquido do emprego entre 2022 e 2023, com o emprego criado a superar o emprego destruído, em alguns verificou-se o oposto. Para além dos empregados dos centros de chamadas, os trabalhadores da confeção do vestuário e os operadores de máquinas para o fabrico de produtos têxteis, ambas profissões associadas à indústria têxtil e do calçado, foram as que mais perderam postos de trabalho.

NOTA: O emprego criado corresponde ao emprego no ano t que não existia em t-1. O emprego destruído corresponde ao emprego no ano t-1 que deixou de existir em t. Este análise é feita ao nível do par trabalhador-empresa. Considera-se apenas uma observação por cada trabalhador por ano. FONTE: Quadros de Pessoal (GEP/MTSSS), INE, FBA/Brighter Future.

Há muito mais para descobrires no Brighter Future

Clica aqui para consultares informação detalhada por profissão no mercado de trabalho português, incluindo dados sobre o número de trabalhadores e os salários médio e mediano. A pesquisa pode ser filtrada por região, faixa etária, nível de escolaridade, género e setor de atividade.

Podes ainda explorar o Raio-X das Regiões, uma ferramenta que disponibiliza informação aprofundada ao nível das regiões e sub-regiões do território nacional.