De acordo com os dados do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social foram aproximadamente 4,39 milhões o número de trabalhadores dependentes com remunerações declaradas em abril de 2026. Face ao período homólogo do ano anterior, este valor cresceu cerca de 1,3% já que, em abril de 2025, o número de trabalhadores situou-se em 4,34 milhões, ou seja, verificou-se um aumento de quase 60 mil trabalhadores entre ambos os períodos.
Todos os distritos – com exceção de Beja (-3,4%) – registaram um crescimento no emprego em abril de 2026 face ao ano transato. Destacaram-se os distritos de Viseu (2,6%), a Região Autónoma da Madeira (2,5%), Setúbal (2,4%) e Vila Real (2,3%) com o maior crescimento no mesmo período.
Evolução do Nº de Trabalhadores no mês de abril, por ano e distrito
FONTE: GESTÃO DE REMUNERAÇÕES – TRABALHO DEPENDENTE (MTSSS), FBA/BRIGHTER FUTURE.
Os distritos de Lisboa, Porto e Setúbal representam metade do emprego
A distribuição do emprego continua fortemente concentrada nas áreas mais urbanizadas do país. Lisboa mantém-se como o principal polo empregador, reunindo 23,9% dos trabalhadores, seguindo-se o Porto (17,3%) e Setúbal (8,9%). Em conjunto, estes três distritos representam cerca de metade do emprego a nível nacional.
Num segundo grupo surgem Braga (8,4%), Aveiro (6,8%), Faro (5,0%) e Leiria (4,6%). Estes quatro distritos concentram, em conjunto, cerca de um quarto do emprego nacional, o que significa que aproximadamente três em cada quatro trabalhadores se encontram distribuídos apenas por sete distritos.
Nº de Trabalhadores no mês de abril de 2026, por distrito
FONTE: GESTÃO DE REMUNERAÇÕES – TRABALHO DEPENDENTE (MTSSS), FBA/BRIGHTER FUTURE.
O Salário Médio atingiu os 1.610 euros em abril de 2026
A remuneração média mensal declarada à Segurança Social foi de 1.610 euros em abril de 2026, correspondendo a um aumento de 68 euros face ao mesmo mês de 2025. Em termos homólogos, o crescimento foi de 4,4%, quando a remuneração média era de 1.542 euros.
Os três distritos com mais emprego foram também os três distritos com os salários foram mais elevados. Lisboa registou a remuneração média mensal mais elevada do país, atingindo os 1.875 euros, valor que supera em 265 euros (16,4%) a média nacional. Seguiram-se Setúbal, com 1.693 euros, e o Porto, com 1.617 euros.
Estes foram, aliás, os únicos distritos onde a remuneração média mensal ultrapassou a média nacional. Nos restantes distritos e regiões autónomas, os salários permaneceram abaixo dos 1.610 euros.
Apesar disso, as diferenças territoriais não foram uniformes. Coimbra, Aveiro, Leiria e a Região Autónoma dos Açores apresentaram remunerações relativamente próximas da média nacional, com desvios inferiores a 6%. Em contraste, Beja, Portalegre, Vila Real e Guarda registaram os salários médios mais baixos, situando-se mais de 15% abaixo da média nacional, o que corresponde a uma diferença superior a 249 euros por mês.
Os dados evidenciam, assim, assimetrias territoriais de relevo com uma forte concentração do emprego e dos salários mais elevados nas áreas metropolitanas e nos principais centros económicos do país, enquanto os territórios do interior continuam a apresentar níveis de remuneração significativamente inferiores à média nacional.
Remuneração média no mês de abril de 2026, por distrito
FONTE: GESTÃO DE REMUNERAÇÕES – TRABALHO DEPENDENTE (MTSSS), FBA/BRIGHTER FUTURE.
Nota Metodológica:
Para a elaboração do presente Insight recorreu-se aos dados mensais da Gestão de Remunerações dos trabalhadores dependentes do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Na análise foram consideradas as pessoas singulares com remunerações declaradas. No contexto do presente Insight, o salário médio corresponde à remuneração média mensal declarada à Segurança Social pelo que inclui a remuneração base e outras componentes remuneratórias, caso estas sejam aplicáveis, designadamente o subsídio de alimentação, diuturnidades, prémios, subsídio de férias e/ou Natal, entre outros.